Ed Fogaça
2jun/160

Under the Influence – Eddie Daniels

Under the Influence Eddie Daniels

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Este belo disco gravado pelo clarinetista e saxofonista Eddie Daniels, com participação de Alan Pasqua (piano), Mike Formaneck (baixo) e Peter Erskine (bateria/percussão). Eddie Daniels é bastante conhecido pelo som e timbre incomparável do clarinete, mas nesse seu trabalho apresenta várias músicas tocando sax tenor com um belo som e técnica apuradíssima. Sua linguagem musical e fraseados não mudam, mantendo sua criatividade intacta.

Esse disco é composto por 11 belas faixas, onde 4 faixas são temas de sua autoria. Na terceira faixa Eddie Daniels apresenta uma linda composição “Waltz For Bill”, com solo de clarinete. Em seguida, na faixa 04, Eddie interpreta uma linda bossa nova “Meus melhores momentos”, conhecida na voz de Lenny Andrade, tocando com sax tenor com bela interpretação e lindo solo. Na faixa 07, Eddie interpreta uma linda balada do famoso compositor Victor Young “Weaver of Dreams” com o sax tenor. Na oitava faixa Eddie volta para o clarinete interpretando uma composição do pianista Alan Pasqua, que leva o nome em português “Rio Grande” e continua com o clarinete até a última faixa interpretando uma composição de Bill Evans “Five”.

Eddie Daniels não é muito conhecido no Brasil, assim, quem não o conhece, procure conhecer, vale a pena apreciar seu belo som no sax e clarinete...

ED FOGAÇA

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31maio/160

A queda e ascensão do saxofone in C (Parte 04)

curiosidade 4

 

 

 

 

 

John Robert Brown

Dois grandes músicos se especializaram no saxofone C-melodia e exerceram uma influência sobre história do jazz. O primeiro foi Jack Pettis (nascido em 1902) e o segundo mais notavelmente, Franky 'Tram' Trumbauer (1901-1956). Pettis: "Um improvisador criativo e ágil," infelizmente pouco conhecido hoje. Ele foi o primeiro músico a gravar um solo de jazz em um filme em 1925 e seu trabalho é válido ser pesquisado. Foi Pettis (em ambos tenor e C-melodia) que influenciou Bud Freeman e na opinião de Freeman, indiretamente influenciou Lester Young. Mas Young também é conhecido por ter tido grande referência para Freeman. Todas as linhas de pesquisas apontam para as mesmas fontes. Estes dois saxofonistas do C-melodia foram, sem dúvida influências importantes sobre a evolução do saxofone tenor de jazz.

Dos dois saxofonistas, o grande gênio do saxofone C-melodia era Frank Trumbauer. As realizações de Trumbauer foram eclipsadas pelo papel que desempenhou na carreira de Bix Beiderbecke. Embora sua forma de tocar é conhecida por ter sido uma grande influência sobre saxofonistas como Benny Carter, mais importante, ele ter sido rotulado como "o avô do jazz moderno" por causa de sua influência sobre Lester Young. Não há como contestar a influência de Frank Trumbauer sobre Lester Young.

O solo de Trumbauer em Singin 'the Blues é sua gravação mais famosa e influenciou gerações de saxofonistas. Trumbauer também tocava cornet, clarinete e sax alto. O fato do som do saxofone in C ser semelhante ao som do sax alto, é fácil entender porque o músico britânico Norman Field teve a ideia ousada de dizer que talvez este solo (em Singin 'the Blues) foi gravado no sax alto e não com saxofone C-melodia! É um pensamento controverso. Se for verdade, isso diminui a importância do saxofone C-melodia e mudaria a história do jazz.

ED FOGAÇA

 

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26maio/160

Solstice – Ralph Towner

disco 3 ralph tower solstice

 

 

 

 

 

Solstice é um disco maravilhoso do músico norte americano, guitarrista, violonista e multi instrumentista Ralph Towner, com participações especiais do baixista alemão Eberhard Weber, do baterista e percussionista norueguês Jon Christensen e o grande saxofonista norueguês Jan Garbareck.

Este disco foi gravado em Oslo (Noruega), em 1974 pelo extinto selo “ECM” e pela mistura de culturas musicais entre os músicos, já podemos prever o resultado musical desse disco, onde estrutura de composição e improvisos diferem um pouco dos discos de jazz gravados nos Estados Unidos principalmente, com fraseados diferentes e climas da base com muita criatividade.

Com mais de 10 minutos de duração, a primeira faixa (Oceanus), é uma belíssima composição de Towner, com uma linda condução do baterista Jon Christensen e o som incomparável do sax tenor de Jan Garbareck.

A busca por novos caminhos de composição, improvisação, resultados sonoros, novos timbres, fazem parte desse disco do começo ao fim.

Nesse disco Ralph Towner toca também violão 12 cordas e piano, como Eberhard Weber toca Cello em algumas músicas, Jan Garbareck participa tocando flauta e sax soprano. Vale a pena ouvir essa “mistura musical !!!”

ED FOGAÇA

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24maio/160

A queda e ascensão do saxofone in C (Parte 03)

 

 

 

 

 

John Robert Brown

A segunda ocorrência para promover o interesse no saxofone C-melodia em particular, foi a carreira de Rudy Wiedoeft (1893-1940). Um músico possuidor de uma técnica espetacular, sua articulação fenomenal continua a ser discutida longamente nos dias de hoje. Wiedoeft teve uma carreira brilhante e bem sucedida como músico de vaudeville (teatro de variedades dos anos 20), tocando tanto saxofone alto e saxofone C-melodia.  Desde o final dos anos 1910, ele fez mais de uma centena de gravações,muitas composições e arranjos, incluindo Saxarella, Saxema, Saxophobia, Sax-O-Phun, Valse Erica, Llewellyn-Waltz, Valse Marilyn e Valse vanité. Várias de suas performances posteriores estão compiladas disponíveis em CD. O saxofonista britânico Dave Gelly resumiu o feito de Wiedoeft: "Ele era o músico que fez muito para popularizar o saxofone na América na década de 1910 e preparar o caminho para o boom dos anos 1920". Dick Sudhalter foi mais longe. "Sem dúvida o saxofone tocado na década de 20, dentro ou fora do ambiente da improvisação “quente”, deve-se à Wiedoeft, tão penetrante era a sua influência", escreveu ele. Wiedoeft é conhecido por ter usado uma boquilha de sax alto em seu sax C-melodia, afinal, ele cooperou com a empresa Holton para introduzir melhorias no projeto para o saxofone.

O papel do saxofone C-melodia logo cedo no jazz não deve ser esquecido, embora frequentemente é. Vários grandes músicos de jazz começaram suas carreiras no instrumento. Benny Carter e Coleman Hawkins ambos começaram a tocar no saxofone C-melodia e, surpreendentemente, o pianista e arranjador de Paul Whiteman, o músico Bill Challis, começou seu trabalho profissional em bandas de baile tocando saxofone C-melodia.

ED FOGAÇA

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18maio/160

LINE FOR LYONS – Stan Getz &  Chet Baker

Um lindo disco gravado ao vivo em Estocolmo (Suécia,1983), apresentando dois grandes solistas da história do jazz, Stan Getz (Sax Tenor) e Chet Baker (Trompete e Vocal), acompanhados na base por Jim Mcneely (Piano), George Mraz (Baixo) e Victor Lewis (Bateria).

Um disco recheado com Standards de Jazz, como “Just Friends”, “Stella by Starlight”, “My Funny Valentine” entre outros. Logo na primeira música do show Chet Baker nos presenteou com sua interpretação impecável no vocal, cantando o tema de “Just Friends” em seguida improvisando coma voz como se estivesse tocando seu trompete.

Ainda no começo do show um belo improviso de Stan Getz no tema “Airegin” (Sonny Rollins), seguindo para outra interpretação impecável de Chet Baker no vocal cantando “My Funny Valentine”. Caminhando para o fim Stan Getz interpreta brilhantemente o tema da balada “Dear Old Stockholm”, onde seu improviso também foi uma obra de arte.

E para finalizar Chet Baker e Stan Getz nos presentearam com um duo sax e trompete com a música “Line for Lyons”, música que deu nome ao disco. Vale a pena conferir!!!

ED FOGAÇA

18maio/160

A queda e ascensão do saxofone in  C (Parte 02)

John Robert Brown

Após o fim da Primeira Guerra Mundial, muitos instrumentos não-padrão foram introduzidos durante este período. O saxofone que vendeu em grandes quantidades, em números que ele nunca iria corresponder mais uma vez, foi o saxofone C-melodia.

O saxofone foi promovido como um instrumento fácil de aprender. Uma propaganda da Buescher de 1923 afirmou que com os seus maravilhosos saxofones: “fez do estudo musical uma realização universal, e colocou-o dentro a possibilidade de praticamente todos.

Uma propaganda de 1925, também pela Buescher, afirmou que: "A primeira nota do saxofone já colocava alegria nas festas." "Dinheiro e um barril de diversão", foi prometido para quem comprasse um saxofone. Ganhar dinheiro seria possível a partir de ensino também. "Você pode dominá-lo em poucas semanas e estar pronto para ensinar", afirmou ainda outro anúncio Buescher no mesmo período. "Ele não precisa interferir no seu trabalho regular," ele afirmou, trazendo um extra para educadores profissionais e saxofonistas em todos os lugares.

Muito foi feito para libertar o saxofone dos problemas de transposição e ao fato de que o musico amador poderia tocar direto da partitura do piano. Surpreendentemente, o sax C-melodia também foi adotado por músicos de orquestras. Normalmente, ele era popular com os oboístas e músicos de cordas como um segundo instrumento. Eles poderiam aumentar o seu trabalho freelance, adicionando o saxofone agora na moda para outros trabalhos, sem a necessidade de partituras adicionais. Um músico britânico recordou seu pai dizendo de como ele pertencia a um conjunto que tocou em Bradford, em Yorkshire, Inglaterra, durante o início dos anos 1920. Na parte da tarde os músicos constituíam uma pequena orquestra. Então, à noite, o oboísta e violinista pegavam seus saxofones C-melodia para tocar músicas   dançantes e um repertório mais moderno.

ED FOGAÇA

13maio/160

Gotham City – Dexter Gordon

CD “Gothan City” – Dexter Gordon

Mais uma obra de arte do saxofonista norte americano Dexter Gordon(1923-1980) com seu Cd “Gothan City” juntamente com outros mestres como George Benson (Guitarra), Art Blakey(Bateria), Percy Heath(Baixo) e Cedar Walton(Piano).

O que mais me chamou atenção nesse Cd foi a condução da base (baixo/ bateria/ piano/ guitarra), durante os solos, muito bem entrosada, trabalhando questões rítmicas e harmônicas com maestria.

Logo na primeira faixa, na música Hy-Fly um belo solo de guitarra do mestre George Benson, na segunda música solo de sax de Dexter Gordon, tocando uma balada como só ele sabe com belas melodias e uma ótima condução de baixo de Percy Heath.Na terceira faixa é coroada com a participação super especial do trompetista Wood Shaw.

Finalizando o Cd com a música que leva o nome do Cd “Gothan City”, com uma base “quente” e belos solos. Quem gosta de Jazz e belos solos... esse é um dos discos que não deve perder de ouvir!!!

Ed Fogaça

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10maio/160

Curiosidades: A queda e ascensão do saxofone in C (Parte 01)

Adolphe Sax (1814-1894) pretendia criar duas famílias de instrumentos , de forma análoga às categorias de voz humana. Uma família de sete instrumentos, desde sopranino até o contrabaixo, foi lançado alternadamente em C e F. Uma segunda família estava em Bb e Eb. O primeiro grupo incluía o C-melodia (saxofone in C), e foi destinado para uso orquestral. O segundo grupo, em Bb e Eb, foi destinado para a banda, também conhecida como banda militar, banda de concerto ou conjunto de sopros. Até o final do século XIX, ficou claro que os instrumentos Bb e Eb aqueles destinados ao uso em bandas, foram predominando sobre aqueles em C e F. Os saxofones populares foram o alto em Eb e o tenor em Bb. Então, pouco antes do início da década de 1920, duas coisas ocorreram para promover o interesse no saxofone in C e começar uma década de grande popularidade para o saxofone in C .
A primeira ocorrência, paradoxalmente, foi um excesso de saxofones. Com a desmobilização após o fim da Grande Guerra veio uma redução no número de músicos empregados pelos militares. Muitos instrumentos foram vendidos. Houve um excedente de saxofones Bb e Eb no mercado de segunda mão. Algumas autoridades dizem que o declínio na demanda por novos saxofones, fez com que os fabricantes buscassem novas maneiras de melhorar as vendas de saxofone e um dos caminhos foi promover o saxofone in C , conhecido também como saxofone-melody.
Houve em meados dos anos 20, um “boom” na vendas de saxofone in C, alimentado por uma demanda do pós-guerra para a novidade. A produção de saxofones na América atingiu um pico em 1924, quando 100.000 instrumentos foram produzidos. Quinhentos mil saxofones foram vendidos em sete anos. A fábrica Conn desde 1921 triplicou sua produção até o “crash” de Wall Street, sinalizando o fim desse impulso fenomenal para a popularidade do saxofone.